Nas
últimas décadas, com a criação de cursos que utilizam novas tecnologias,
popularizou-se o uso de expressões como ensino
a (à) distância, educação a (à) distância.
Uma colega me pergunta se é possível o uso da crase.
Eis
a resposta: é possível, sim; mas sem o acento também estaria correto.
Locuções com palavras femininas são escritas com acento grave: à noite, à
vontade, à primeira vista, à medida que. É o que justifica a crase em à distância. Por ser uma locução
adverbial com substantivo feminino, tem crase.
Alguns gramáticos entendem que o uso seria facultativo nas locuções adverbiais
femininas com ideia de meio ou instrumento. À bala ou a bala, à mão ou a mão. Se admitirmos que a
distância é o meio utilizado para essa forma de ensino (o que é
discutível), poderíamos escrever com ou sem acento: à distância ou a distância.
É o que provavelmente levou os dicionários Aurélio e Houaiss a registrarem as
duas formas.
A única ressalva para o uso facultativo é que, em alguns casos, pode haver
ambiguidade.
E aí: usar ou não usar? Sinceramente, no caso de ensino/educação a distância eu opto por não usar; mas há quem
prefira, como o consultor de língua portuguesa e autor de O Português do Dia a dia, Sérgio Nogueira Duarte da Silva: “melhor
pôr o acento grave nas locuções femininas. A chance de errar é menor”.